Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, vamos falar de algo presente no nosso dia a dia: o empreendedorismo feminino.
E não vamos mentir para você, empreender não é nada fácil. Criar um negócio do zero exige persistência, dedicação e muito amor no que se faz. Para realizar o sonho de trabalhar por conta própria, é preciso renunciar a muitas coisas e, quando se trata de empreendedorismo feminino, os desafios são ainda maiores.
Assim, vamos mostrar alguns dos principais desafios das mulheres empreendedoras e maneiras de impulsionar negócios liderados por elas.
Acompanhe e boa leitura!
O empreendedorismo feminino no Brasil
Você já olhou ao redor e percebeu a grande quantidade de mulheres trabalhando por conta própria? Pois saiba que, segundo o levantamento Empreendedorismo Feminino no Brasil do Sebrae, com dados do IBGE, as mulheres representam 34% do total de empreendedoras do país.
Ao todo, são mais de 30 milhões de pessoas empreendedoras no Brasil, sendo 10,4 milhões de mulheres, um número recorde desde 2016, quando a pesquisa começou.
Um dos muitos motivos que contribui para esse número é que, todos os dias, mulheres altamente capacitadas e produtivas são vetadas em processos seletivos, dispensadas no retorno da licença maternidade, ou, ainda, acabam pedindo demissão após o nascimento de seus filhos.
E olha só que interessante, segundo outro estudo realizado pela Rede Mulher Empreendedora (RME), uma em cada três mulheres empreendedoras é mãe solo. Isso significa que, além de liderarem seus negócios, elas também são as principais e muitas vezes as únicas responsáveis pelo cuidado dos filhos e pela organização da casa.
Na prática, isso se traduz em uma dupla ou até tripla jornada diária: trabalho, cuidado e gestão do lar acontecendo ao mesmo tempo. Ainda assim, essas mulheres seguem empreendendo, inovando e gerando renda, mesmo diante de uma rotina exaustiva e de poucas redes de apoio.
Segundo essa pesquisa, há uma predominância de mulheres empreendedoras a partir dos 30 anos, com uma presença expressiva nas faixas entre 40 e 49 anos.
E não para por aí: 53,6% das empreendedoras possuem ensino superior, um dado que reforça a presença do conhecimento e da qualificação na trajetória dessas mulheres.
Vale destacar que 58,3% das empreendedoras são chefes de seus domicílios, 67,6% não recebem nenhum tipo de complemento de renda e 69,4% sustentam outras pessoas apenas com sua renda individual.
Ou seja, para a maioria dessas mulheres, o negócio não é uma renda extra, é a base financeira da família. Cada venda, cada contrato e cada cliente impactam diretamente a segurança e o bem-estar de outras pessoas.
Já no recorte racial, os dados indicam que 63,1% são mulheres brancas e 44,8% são mulheres negras.
Os desafios do empreendedorismo feminino
Segundo o estudo já citado da RME, mesmo liderando seus próprios empreendimentos, a maioria das empreendedoras brasileiras possui uma renda mensal média de até 2.400 reais.
Esse dado evidencia um ponto que muitas mulheres ainda enfrentam:
- Dificuldade de acesso a crédito.
- Baixa remuneração.
- Falta de apoio técnico e capacitação continuada.
- Barreiras estruturais para escalar seus negócios.
Empreender, principalmente para as mulheres, é uma escolha que requer preparação, dedicação, capacitação, network, investimentos e milhares de outras coisas que, com todas as responsabilidades da maternidade e dos cuidados com a casa, podem tornar essa jornada extremamente desgastante para as mulheres. E é nessas horas que uma rede de apoio se torna fundamental.
Ter com quem contar para buscar as crianças na escola, levar no médico, ensinar a fazer lição, dar uma bronca quando fizerem alguma arte, cuidar da manutenção da casa, é essencial para as mulheres poderem empreender com segurança e tranquilidade. E claro, essas pessoas não precisam ser apenas o marido ou outros familiares, pode ser uma funcionária de confiança, uma vizinha bacana ou mesmo uma amiga.
Ninguém consegue empreender sem contar com ajuda, com pessoas sempre prontas para te ajudar. Não basta ter uma rede de apoio na empresa, é necessário ter uma rede de apoio em casa também.
O empreendedorismo, muitas vezes, se torna algo solitário, mas não precisa ser sempre assim. Ele pode e deve ser algo feito com a ajuda de outras pessoas, mulheres e homens.
Por exemplo, grupos de mulheres empreendedoras que se unem para networking e para compartilhar suas vivências são ótimas alternativas para quem quer impulsionar os negócios e alcançar maior capacitação.
Como ajudar mulheres empreendedoras na sua comunidade
A importância dos negócios liderados por mulheres vai além da economia. A autonomia financeira das mulheres traz o poder de decidirem suas próprias vidas e romperem círculos de violência e também um grande impacto nas suas comunidades e seu entorno quando, principalmente, empregam outras mulheres.
Sabendo disso, veja abaixo algumas práticas que você pode adotar para ajudar outras mulheres a empreender e ter sucesso nos seus negócios.
1.Valorize o trabalho de mulheres que você admira
Você pode fazer isso curtindo fotos e vídeos ou fazendo comentários positivos nas redes sociais dessas mulheres. Elogiar é uma maneira de deixar essas empreendedoras mais confiantes sobre si mesmas e seus produtos e/ou serviços.
2.Comemore as conquistas das empreendedoras com quem você se relaciona
Toda conquista é importante, por menor que seja, e por isso merece ser comemorada. Um novo contrato, uma venda, um convite de parceria, não faz diferença, comemorar ajuda a reforçar o sucesso delas.
3. Indique trabalhos de mulheres
Sabe aquela amiga que te pergunta onde comprar certo produto? Ou quem pode fazer determinado serviço? Indique mulheres que você conhece e confia.
E mais, se você gostou do produto ou serviço de uma empreendedora, compartilhe seu negócio nas redes sociais e faça com que mais pessoas conheçam seu trabalho e ainda leve outras mulheres com você a eventos, palestras, feiras e cursos.
4. Consuma de mulheres
Compre produtos e contrate serviços de mulheres, essa é uma excelente forma de apoiá-las. E claro, procure também filmes dirigidos por mulheres, livros escritos por mulheres, vá a feiras ou museus com exposições de mulheres.
5. Crie ou participe de redes de apoios
Empreender também é construir redes e já existem algumas pelo país que fazem isso muito bem, como por exemplo, Consulado da Mulher, Instituto Rede Mulher Empreendedora. Assim, procure saber mais sobre elas e sobre as redes que existem aí na sua cidade. Não achou nenhuma? Crie uma rede para apoiar microempreendedores em sua comunidade.
Quanto mais mulheres se apoiarem e puderem se ajudar mutuamente, mais fortes elas ficam e mais fáceis os desafios do empreendedorismo feminino serão superados.
Para terminar, deixamos aqui um vídeo da nossa cofundadora Raquel Cardoso que conta um pouco da sua trajetória como empreendedora e fala um pouco da importância da gestão financeira.





